Esse mês tive contato com um caso suspeito de hiperaldosteronismo primário, suspeitado pela presença da tríade: hipocalemia, alcalose metabólica e hipertensão importante. Foi solicitado a dosagem sérica de aldosterona e renina e após a chegada dos resultados veio à tona a confusão das unidades para o correto cálculo da relação aldosterona/renina.
O primeiro ponto é que existem duas formas de “medir” a renina. A primeira é a dosagem direta da concentração de renina plasmática (no inglês: Direct Renin Concentration - DRC); a segunda é a atividade plasmática da renina (no inglês: Plasma Renin Activity - PRA). Já a aldosterona é avaliada apenas pela dosagem sérica (no inglês: Plasma Aldosterone Concentration - PAC).
O segundo ponto é que a análise também vai depender do tipo de teste usado para fazer as dosagens. São dois os principais tipos: o imunoensaio e a cromatografia líquida.
O terceiro ponto é que os valores podem ser expressos em várias unidades, sem uma padronização entre os laboratórios.
Costumamos calcular a relação aldosterona/renina mas a sua interpretação para chegar ao diagnóstico vai depender dos fatores acima. A diretriz internacional mais recente sobre hiperaldosteronismo primário é a da Endocrine Society, publicada em 2025. Ela traz o fluxograma abaixo com os valores de corte para cada teste e cada unidade de medida.1

Mas o UpToDate acaba sendo mais amigável, trazendo a tebela abaixo com ainda mais unidades.2

No caso do meu paciente, chegaram os resultados com uma dosagem de aldosterona de 28,3 ng/dL e uma dosagem de renina de 2,6 microUI/mL, ambos com teste de imunoensaio. A relação entre os dois dá um resultado de 10,88. Conferindo a tabela do UpToDate, encontro as unidades equivalentes e consigo confirmar o hiperaldosteronismo pela relação >2,5.
Seria muito mais fácil se houvesse uma padronização mas com calma dá pra ir convertendo com calma para ter certeza no diagnóstico.
O pior é que, não bastasse isso tudo, a correta dosagem e interpretação do resultado ainda vai depender de outros vários fatores como: uso de medicações que interferem no eixo SRAA (principalmente IECA, BRA e espironolactona), se o exame foi colhido com o paciente deitado ou sentado, se foi colhido em vigência de hipocalemia… e por aí vai.
Adler GK, Stowasser M, Correa RR, et al. Primary aldosteronism: an endocrine society clinical practice guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 2025;110(9):2453-2495. doi:10.1210/clinem/dgaf284 ↩
William FY, Lynnette KN, Katya R. Diagnosis of primary aldosteronism. UpToDate. Literature review current through: Feb 2026. This topic last updated: Nov 17, 2025. Acessado em 30/03/26. ↩